• Carlos Henrique Rutz

O DIA EM QUE SELINA KYLE ROUBOU MEU CORAÇÃO

Ao contrário de outras colunas, em que deixei a explicação do título pro fim, vou entregar aqui de cara. Foi em 13 de julho de 1992. (segunda-feira tinha promoção no cinema)

Eu estava passando férias em Curitiba e fui com um primo assistir Batman: O Retorno. Pra um moleque de 14 anos, Michelle Pfeiffer na telona é gatilho. E não tem quase nada ali que não apele a fetiche: couro, chicote, secretária com vida dupla, piadinhas maliciosas, várias cenas de dominação e tudo mais.



O filme de Tim Burton, sequência do estrondoso sucesso de 1989, trazia uma nova origem para a ladra felina. Michelle interpretava uma Selina Kyle pacata, solitária e praticamente uma "tia louca dos gatos", que morava num apartamento todo em tons de rosa, com casinha de bonecas e tudo mais. Ao descobrir umas tretas do patrão, este arremessa a moça pela janela. Ela não morre, e volta meio zureta, costura um traje em couro preto e o resto é história.


Essa foi a Selina Kyle que trouxe a vilã mais charmosa dos quadrinhos de volta aos holofotes que, quase 30 anos antes, pertenceram a Julie Newmar atriz, cantora e dançarina com um metro e oitenta de altura que, com as botas de saltos e o uniforme da vilã no seriado sessentista do Batman, estabeleceu um padrão de pernas até hoje não equiparado no Multiverso DC em qualquer época.


Repare que pra contracenar com Adam West (1,87), somem os saltos, que deixavam Julie (1,80) mais alta que o protagonista, um crime pra época.