• Carlos Henrique Rutz

O DIA EM QUE DESCOLEI UM TRAMPO PRA DOIS AMIGOS... EM GOTHAM CITY!

Atualizado: Out 21



Hoje a coluna é dedicada a você que sempre dá um sorrisinho besta quando tá vendo um filme da Marvel e percebe: "ALÁ! ALÁ O STAN LEE! EH EH EH, PÔ QUE DAORA ESSE VÉIO MASSA EM TODOS OS FILMES."

Essas participações, eternizadas por Hitchcock antes do véio Stan, são chamadas "cameos" em inglês. Em português nunca vi com um nome muito "oficial", não. Pode chamar de participação especial, aparição-relâmpago, Easter egg, tanto faz.

O fato é que essas aparições podem trazer um charme, uma piada visual, uma homenagem, e também... zoeira.

O filme do Deadpool está cheio de citações. Às vezes numa frase, como as várias menções ao Monty Python, em outras, um roupão e uma quebra de quarta parede evocam Ferris Bueller em "Curtindo a Vida Adoidado".


Lou Ferrigno, o melhor Hulk analógico que a humanidade já viu, ganhou uma pizza a título de propina do Bruce Banner/Edward Norton no filme de 2008. Nem todo mundo sabia, em 2008, quem era Lou Ferrigno. Mas, quem soube, largou um semiorgástico: "Aaaah!"


Nos quadrinhos, isso também acontece, e volta e meia o roteirista faz citações a alguma outra obra, seja letra de música, discurso político, trecho de livro ou fala de filme. Muitas vezes, citam/incluem pessoas (Homo sapiens, 46 cromossomos, polegar opositor, etc), celebridades ou não, que entram como parte da história com seus nomes reais, como o entrevistador David Letterman nos Vingadores, os presidentes Barack Obama no Homem-Aranha e John F. Kennedy em Superman ou o cestobolista do Dream Team Charles Barkley em Godzilla.



Porém, algumas são, no mínimo, inusitadas, como Uri Geller sendo apresentado a ninguém menos que o Demolidor, com direito a cano entortado. Pra quem não sabe, Uri Geller era um charlatão metido a paranormal que entortava colheres na televisão e foi um fenômeno. Júlio César, ponta-esquerda do Flamengo no fim dos anos 1970 foi apelidado como Uri Geller porque entortava... os adversários. O mundo é maravilhoso, vocês que não aproveitam.


Alguns têm mais cacife pra sacanear, e quem melhor pra dar uma avacalhada no Stan Lee, o "véio dos filmes da Marvel", do que Jack Kirby, o Rei da p*rra toda?! Na série "What If", em 1978, ele escolhe o já bigodudo Stanley M. Lieber (sim, a conta de gás do véio vinha nesse nome) pra ser um insuportável Senhor Fantástico, sendo ele mesmo, Kirby, um divertido Coisa. Completam o Quarteto a então secretária de Lee, Flo Steiberg e o gerente de produção e arte-finalista entã bissexto Sol Brodsky. Com a caneta do roteiro e o lápis do desenho nas mãos, Kirby mata a pau nessa história, apesar de tratar a pobre Flo como uma abobada.


E cadê meus amigos em Gotham, cazzo?!

Bem, cabe aqui dizer que na Turma da Mônica, pessoas reais frequentemente visitam a Rua do Limoeiro, sejam celebridades ou o próprio Mauricio de Sousa, o Big Bang em pessoa.

Minha primeira "aparição" nos gibis foi em uma HQ da Liga da Justiça, quando o Mario Luiz C. Barroso me colocou como um fã do Flash pegando autógrafo em um boné. "Escreve aí que é pro Carlão", disse o menino. Nada demais uma homenagenzinha aqui e ali.



Em Estranhas Aparições, coleção de histórias de mistério do Homem-Morcego lançada pela Coleção de Graphic Novels da Eaglemoss, Bruce Wayne precisa de alguém de confiança para ir a Paris em seu lugar, pois Gotham está sob ataque e ele não quer correr o risco de se ausentar. O eleito (por mim) pra esta missão foi ninguém menos que Diego Moreau. Diego é um dos maiores batmaníacos que já conheci e dedicou um esforço colossal pra colocar no papel a história do Bill Finger, cocriador do Morcegão cujos perrengues são dignos de ficção/fantasia, mas estão na prateleira da biografia, infelizmente. Diego é um dos cabeças da editora Skript, que já publicou e seguirá publicando obras sobre o universo do órfão mais amargo de Gotham City, entre zilhões de outras cositas. Colaborei com alguns artigos no livro Cavaleiros das Trevas, que traz as várias versões do Bátima nos gibis, e traduzi pro inglês (e pra família do Finger) a biografia em quadrinhos que tanto orgulha todos nós. Anos atrás, a gente não passava de fã, e agora estamos os dois no mercado, de maneiras diferentes mas com vários pontos de interseção. E que bom que o biógrafo do Bill Finger é alguém com serviços dignos prestados às Empresas Wayne.



Já em Arlequina: Prelúdios e Trocadalhos, uma das vítimas de um complô entre o Duas-Caras e o Pinguim é um ator que acaba de virar celebridade porque se envolveu com uma socialite chamada Mônica Chamego. Desta vez, o escolhido para fazer par com a tal socialite foi José Mathias, CEO deste humilde uebisáite e o serumaninho que me fez voltar a ler gibis nos meados dos anos 1990, fazendo uma curadoria minuciosa, pois sabia que se eu pegasse alguma porcaria, teria desistido. Além disso, desde a virada deste século, José promove, em diferentes fronts de batalha, eventos com quadrinhos em SC, dos quais já fui plateia, backstage e palestrante. Os motivos pelos quais eu descolei esse trampo para José, convertido em "Joe Mathias" na HQ, são impublicáveis, mas envolvem duas suecas e uma japonesa. José é uma das poucas criaturas que podem ser presenteadas com uma caneca assim estampada, sem tomar isto como ofensa pessoal:


E assim ele foi retratado, sem ônus algum pra história, chegando inclusive a apertar a mão do Pinguim, que por muito, mas muito pouco mesmo, não virou Pedro, mas aí seria coisa pra eu perder o trampo e nunca mais voltar. Mas, que deu vontade, deu.


AVISO IMPORTANTE!!!!

O CCQ começa agora a preparar terreno pra agenda 2022, e o site vai ficar um tempo sem atualizações, e isso inclui o blog e as colunas. A gente se vê novamente em SETEMBRO. Não sumam!

46 visualizações0 comentário