• Carlos H. Rutz

Recordatórios

Atualizado: Out 21

O dia em que descobri que ia traduzir Action Comics #1

Antes de qualquer coisa, se alguém não sabe o que é Action Comics #1, é a revista que mostra pela primeira vez (data de capa: junho de 1938) um certo Super-Homem, que alguns (inclusive a DC) insiste em chamar de Superman.


É a revista mais importante da história dos quadrinhos, porque ela criou o conceito de super-herói. Sim, antes do Homem de Aço, era tudo mato. Na verdade, ficção científica, aventura, mistério e piadolas pra criançada.

Capa da primeira aparição do Superman, o herói levantando um carro.

Em 2014, uma cópia em ótimo estado foi vendida por mais de 3 milhões de dólares (dinheiro que vale mais que barras de ouro, ma ôe, Silvio).


Sim, um gibi que compra dez Ferrari GTC4 zero km. Chupa, Chiquinho Scarpa!


Então, voltando ao objetivo desta coluna: Na época, em 2010, eu já tinha terminado minha primeira coleção como tradutor, A Era do Gelo - Coleção de Animais. Tinha feito uns frilas avulsos em materiais da Marvel, mas era episódico e nada fixo, mas o saldo foi positivo: alguém lá dentro da editora tinha gostado dos meus textos.


Recebo então o telefonema do maior carteiro do Multiverso: Mario Luiz C. Barroso, o homem, a lenda, o homem com fãs de têmporas grisalhas alla Reed Richards. Ele sempre tem ótimas maneiras de dar notícias:


– Pintou um trampo aqui. Vê se te interessa.


– Opa! Do que se trata?


– Olha, é sobre Action Comics #1. Topa?


Eu não quis nem saber quanto pagava por página (dica aos iniciantes: nunca façam isso!), topei e vamos em frente. Dividi as traduções com o Mario, e descobri que, além da história “Superman”, tinha outros quadrinhos e também um conto seriado, que sairia em episódios nos volumes seguintes.


Além da já mencionada Superman, a colorida, a revista tinha:


Chuck Dawson, HQ em preto e branco sobre um caubói.


Zatara, O Mestre dos Magos, HQ colorida sobre um mágico “muito parecido” com o Mandrake.


A Estratégia dos Mares do Sul, contada pelo Capitão Frank Thomas, um conto de duas páginas sobre uma ilha misteriosa.


Sticky-Mitt Simson, uma HQ colorida cômica, sobre trapalhadas do personagem-título.


As Aventuras de Marco Polo, HQ colorida sobre as aventuras do veneziano no Oriente.


Pep Morgan, HQ colorida sobre os bastidores do boxe, esporte praticado pelo personagem que dá nome à história.


Scoop Scanlon, O Repórter Cinco Estrelas, HQ em preto e branco sobre as aventuras de um repórter investigativo.


Tex Thomson é outra HQ colorida que se passa no velho Oeste.


Odds’N Ends é uma página ilustrada sobre beisebol, aquele esporte incrível que todo mundo tem um amigo que jura entender.


Durante muito tempo, o fato de ter traduzido Príncipe Valente e Action Comics #1 fez com que muita gente imaginasse que eu tinha 120 anos. Sorte que vieram as comic-cons e pude provar que é possível estar decrépito bem antes disso.


O mais legal de ter feito esse trabalho, até onde sabemos a primeira vez que a revista foi reproduzida na íntegra aqui no Brasil (as versões anteriores traziam a capa clássica e a hq do azulão), foi que ela seria brinde pros assinantes da Coleção de Graphic Novels da Eaglemoss, coleção pra qual o Mario me indicou. Nela, traduzi mais de 120 encadernados e foi o que realmente abriu as portas do mercado pra mim.


Já mencionei lá em cima que a Era do Gelo foi meu início de verdade, mas eu gosto mais de contar que não foi apenas a história dos super-heróis que começou com aquele foguetinho deixando Krypton.


A minha também.


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