• Carlos Henrique Rutz

O DIA EM QUE 10 ABAS FORAM INSUFICIENTES


Antes de usarem computadores, as ferramentas de quem traduz eram a máquina de datilografar, dicionários e enciclopédias. No século XX, ter enciclopédia em casa era um luxo. Como leitor de enciclopédias e dicionários desde a mais tenra infância, eu me sentia ofendido quando as mesmas eras colocadas em um lugar tão alto que só adultos podiam pegar / tocar e... ler. Acho que cheguei aos 1,95m mais no ódio que na genética.

Enfim, com a popularização dos computadores, sua melhoria de desempenho, assim como a qualidade da conexão e multiplicação do acervo de informações online, é muito difícil não achar alguma informação disponível (mas acontece com frequência razoável).

Eu comecei a traduzir "pra fora" em 2010, e a internet já era bem parecida com o que é hoje (nada a ver com os sites cinza-e-azul do fim dos anos 1990 que ofereciam OVNIS, fotos do acidente dos Mamonas e a possibilidade de mandar um e-mail pro Jô Soares), e a cada ano vou me "encantando" por uma nova aba, cada uma selecionada para iniciar automaticamente ao ligar o computador.


O resultado é que hoje elas passam de dez, e vou analisar uma por uma aqui. Antes de fazer isso, porém, é bom eu explicar os materiais com que trabalho regularmente.

Quadrinhos: Batman (ing-por)

Quadrinhos: Disney (por-ing)

Quadrinhos: Skript (por-ing)

Literatura: Clássicos do séc. XIX (por-ing)

Medicina: Revista científica (por-ing)

Além dessas, sempre pintam extras muito bem-vindos, como um livraralhaço da Marvel e o colossal Omnibus do Batman Preto e Branco.

As abas que estão sempre abertas são:

  1. Gmail: coisas importantes vêm por e-mail pra ficarem documentadas. Links pra baixar os originais, envio e confirmação de pagamentos, transferência de arquivos, propostas de trabalho, etc.

  2. Onelook: um agregador com mais de 1000 dicionários indexados. Todos inglês-inglês, mas tem dicionário médico, dicionário de gírias, etc.

  3. Linguee: dicionário contextualizado, mostrando publicações que utilizaram os termos buscados.

  4. Guia dos Quadrinhos: não tem tudo, mas é o que mais tem informações sobre quadrinhos publicados no Brasil. Edson Diogo é o dedicado tutor desse tesouro fundamental.

  5. Reverso: dicionário contextualizado, parecido com o Linguee, mas com acervo diferente de busca.

  6. Michaelis: dicionário online bastante confiável.

  7. Urban Dictionary: dicionário de gírias. Conforme constatado pelo Érico Assis, e eu concordo: "Qualquer palavra da língua inglesa pode ser droga ou putaria em algum nível, de acordo com o Urban Dictionary."

  8. I.n.d.u.c.k.s.: buscador de quadrinhos Disney, com o código e títulos das histórias, além do nome dos personagens em diversos idiomas.

  9. DC.Fandom: uma wikipedia das publicações da DC.

  10. Lista DC: infelizmente, esta é uma aba fechada, em constante atualização, disponível apenas para quem trabalha com material da DC.

  11. Lista Marvel: assim como a anterior, mas voltada pras publicações da editora rival.

  12. Youtube: resenhas feitas em vídeo às vezes ajudam bastante a entender do que estamos tratando em algum editorial.

  13. Dicionário de sinônimos: é importante ter um bom arsenal de vocabulário pra não cair numa repetição excessiva de termos e também ter opções quando há limitação de espaço ou sonoridade / métrica em algumas situações.

  14. Dicionário de rimas: não apenas para poesia e música, mas para alguma cacofonia proposital pretendida pelo autor.

  15. ReadComics: sim, às vezes precisamos recorrer a scans quando há uma menção a uma história anterior que não está nos arquivos que recebemos, pra entender o que se passou. Collapse pode ser desabou, mas pode ser faliu, então não dá pra chutar o que aconteceu com a LuthorCorp.

  16. Além dessas, ficam abertas de 3 a 6 janelas com, por exemplo, wikipedia sobre a fundação de San Marino, o antigo porto de Southampton ou ainda o sistema monetário da Inglaterra vitoriana. Mapas de museus já foram úteis, assim como sites que interpretam letras dos Beatles.

Falando um pouquinho da máquina, o tradutor não precisa de muito além do pacote Office (sem ser pirata é menos aborrecimento), um computador confiável que rode vídeos sem ficar lento e uma boa conexão com a internet. Inclusive, se possível, com um plano B caso sua casa fique em local com frequente manutenção nos postes. Ter dropbox e congêneres pra não perder trabalho por imprevistos é altamente recomendado. Pra meu conforto, passei a trabalhar com duas telas e não afasto ter 3. Um monitor com a obra original, um com o word e o laptop apenas no navegador.

Já perdi trabalho porque o computador pifou. Já perdi por malware, por ter word pirata e por ter internet "barata". Todas elas me custaram tempo, dinheiro e paciência. O tempo vai deixando a gente menos paciente pro risco e muito menos corajoso. É quando Darwin e Murphy se encontram pra beber.

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