• José Mathias

Adiós, Quino

Quino sempre foi muito mais um cartunista do que um quadrinista, ele conseguia transmitir a sua ideia em uma só imagem. Sempre atento as diferenças sociais, Quino era um mestre em mostrar uma crítica social ou política com o seu senso de humor “soco na cara”

Quino e Mafalda

Joaquín Salvador Lavado Tejón (Quino), natural da região Andina de Mendoza (Argentina) nasceu em 17 de julho de 1932, embora nos documentos oficiais conste em 17 de agosto. Desde o nascimento recebeu o nome de Quino para o distinguir do tio Joaquín Tejón, um prestigiado pintor e designer gráfico.


Com treze anos ingressou na Escola de Belas Artes, e com 17 anos decide que quer ser cartunista e humorista. Um ano mais tarde o jovem Quino mudou-se para Buenos Aires em busca de uma editora disposta a publicar seus desenhos, mas teria três anos de dificuldades financeiras antes de ver seu sonho realizado.


Sua primeira página publicada foi em 1954, desde então seus desenhos humorísticos percorreram o mundo, sendo publicados continuamente em inúmeros jornais e revistas da América Latina e Europa.


"O Mundo Quino", seu primeiro livro de humor é publicado em 1963, uma compilação de desenhos mudos de humor. O livro ganha o prefácio do conterrâneo Miguel Brascó (escritor, poeta e tradutor, humorista, cartunista e editor), que mais tarde o apresenta à Agens Publicidad, uma agência de Publicidade que procurava um cartunista para fazer uma história em quadrinhos, uma mistura de Blondie e Peanuts, para divulgar o lançamento de uma linha de eletrodomésticos chamada Mansfield.


E surge a Mafalda


Quino desenhou a personagem para uma campanha publicitária da Mansfield (por isso que o nome de alguns personagens começa pela letra M), que jamais foi lançada. Quino ficou com algumas tiras e alguns meses depois acabou sendo publicada, graças a um editor que viu o potencial da personagem.


Mafalda, a garotinha de cabelos negros que odeia sopa e está sempre em conflito com os adultos, foi publicada pela primeira vez em 29 de setembro de 1964. Em 9 de março de 1965, as tirinhas da personagem migram para o jornal El Mundo e viram um sucesso instantâneo.


Seu humor adulto, presente nos pensamentos de uma menina de 6 anos que simboliza a própria América Latina, sempre às voltas com políticos corruptos, ultrapassa as fronteiras nacionais e conquistam a América do Sul e logo após a Europa.

O universo de Mafalda não é apenas o de uma América Latina urbana e desenvolvida; é, também, de modo geral e em muitos aspectos, um universo latino, o que a torna mais compreensível do que muitos personagens dos quadrinhos americanos. Umberto Eco

Os livros de Mafalda foram traduzidos para mais de 30 idiomas. Em 1973, após quase 2 mil tirinhas, Quino decidiu que não desenharia mais Mafalda encerrando assim o ciclo da personagem.


30 de setembro de 2020 é o dia em que o Mestre Quino ganha um novo status, o de Imortal. Não se preocupe, Quino, vamos continuar aprendendo com a Mafalda, em ser mais questionadores, fãs de Beatles, combater os problemas sociais e evitar a sopa no jantar.

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