Adiós, Quino

Atualizado: Out 2

Quino sempre foi muito mais um cartunista do que um quadrinista, ele conseguia transmitir a sua ideia em uma só imagem. Sempre atento as diferenças sociais, Quino era um mestre em mostrar uma crítica social ou política com o seu senso de humor “soco na cara”

Joaquín Salvador Lavado Tejón (Quino), natural da região Andina de Mendoza (Argentina) nasceu em 17 de julho de 1932, embora nos documentos oficiais conste em 17 de agosto. Desde o nascimento recebeu o nome de Quino para o distinguir do tio Joaquín Tejón, um prestigiado pintor e designer gráfico.


Com treze anos ingressou na Escola de Belas Artes, e com 17 anos decide que quer ser cartunista e humorista. Um ano mais tarde o jovem Quino mudou-se para Buenos Aires em busca de uma editora disposta a publicar seus desenhos, mas teria três anos de dificuldades financeiras antes de ver seu sonho realizado.


Sua primeira página publicada foi em 1954, desde então seus desenhos humorísticos percorreram o mundo, sendo publicados continuamente em inúmeros jornais e revistas da América Latina e Europa.


"O Mundo Quino", seu primeiro livro de humor é publicado em 1963, uma compilação de desenhos mudos de humor. O livro ganha o prefácio do conterrâneo Miguel Brascó (escritor, poeta e tradutor, humorista, cartunista e editor), que mais tarde o apresenta à Agens Publicidad, uma agência de Publicidade que procurava um cartunista para fazer uma história em quadrinhos, uma mistura de Blondie e Peanuts, para divulgar o lançamento de uma linha de eletrodomésticos chamada Mansfield.


E surge a Mafalda


Quino desenhou a personagem para uma campanha publicitária da Mansfield (por isso que o nome de alguns personagens começa pela letra M), que jamais foi lançada. Quino ficou com algumas tiras e alguns meses depois acabou sendo publicada, graças a um editor que viu o potencial da personagem.


Mafalda, a garotinha de cabelos negros que odeia sopa e está sempre em conflito com os adultos, foi publicada pela primeira vez em 29 de setembro de 1964. Em 9 de março de 1965, as tirinhas da personagem migram para o jornal El Mundo e viram um sucesso instantâneo.


Seu humor adulto, presente nos pensamentos de uma menina de 6 anos que simboliza a própria América Latina, sempre às voltas com políticos corruptos, ultrapassa as fronteiras nacionais e conquistam a América do Sul e logo após a Europa.

O universo de Mafalda não é apenas o de uma América Latina urbana e desenvolvida; é, também, de modo geral e em muitos aspectos, um universo latino, o que a torna mais compreensível do que muitos personagens dos quadrinhos americanos. Umberto Eco

Os livros de Mafalda foram traduzidos para mais de 30 idiomas. Em 1973, após quase 2 mil tirinhas, Quino decidiu que não desenharia mais Mafalda encerrando assim o ciclo da personagem.


30 de setembro de 2020 é o dia em que o Mestre Quino ganha um novo status, o de Imortal. Não se preocupe, Quino, vamos continuar aprendendo com a Mafalda, em ser mais questionadores, fãs de Beatles, combater os problemas sociais e evitar a sopa no jantar.

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