• Mario Luiz C. Barroso

10 PERGUNTAS PARA PAOLO RIVERA


Paolo Manuel Rivera nasceu no ano de 1981 em Daytona Beach, Flórida, e é filho do também artista de HQ Joe Rivera. Bacharel em Belas Artes pela Rhode Island School of Design, ali se formou em 2003 após ter aulas com professores como David Mazzucchelli. Um ano antes de se formar, Paolo foi levado por Jim Krueger para a Marvel, onde se destacou nas páginas de Homem-Aranha, Demolidor e na série “Mitos Marvel” ao lado do roteirista Paul Jenkins. Segundo o site especializado Comic Vine, Rivera tem 381 créditos em HQ, espalhados pelas editoras Marvel, Valiant, Dynamite, Boom! Studios, entre outras.

1. Em 2012, você foi premiado com um Eisner Award pelo seu trabalho ao lado de Mark Waid na revista mensal do Demolidor. Como foi a experiência de trabalhar na série e como você enxerga esse prêmio hoje?


Mudou toda a minha carreira. Foi um sonho trabalhar com aquela equipe criativa, e isso também mudou a minha forma de trabalhar, já que perdi o medo de fazer experiências com o roteiro que eu recebia e da forma que eu escolhia para ilustrar o conteúdo.


2. Demolidor foi um dos títulos onde seu pai, Joe Rivera, arte-finalizou seu traço a lápis. Em termos artísticos, quais foram as coisas mais importantes que ele te ensinou?


Ele sempre diz que só me ensinou a segurar o lápis e que eu fiz todo o resto por conta própria. Isso não é verdade, mas é difícil me limitar a uma só dica ou orientação. Às vezes, eu acho que o mais importante é ser capaz de ver alguém que conhecemos fazendo algo que você gostaria de aprender. Existem várias formas de aprender, mas, sem essa vontade inicial, talvez você não tenha a dedicação necessária.


3. Por falar em ensinar, você teve aulas com David Mazzucchelli. Quais são os principais conceitos dele que você segue até hoje e qual é a sua opinião sobre o trabalho do David em Demolidor: A Queda de Murdock e Batman: Ano Um?


Essas duas sagas são imbatíveis, né? Ele a desenhou quando só tinha vinte e poucos anos, o que, cá entre nós, é incrível de pensar. Quanto aos conceitos, o mais importante também é o mais básico: os leitores não sabem qual é a história. É simples assim, mas as implicações desse fato podem ser tanto sutis quanto revolucionárias.


4. No seu blog (www.paolorivera.blogspot.com), você dá dicas a artistas aspirantes. Na sua opinião, qual é a importância de compartilhar experiências com eles? Você também dá aulas?


Sempre que eu topo com uma boa ideia ou algo que economiza tempo, eu fico bem empolgado pra compartilhar. Não consigo me conter. O meu blog é uma boa forma de organizar essas descobertas (e, claro, também um belo jeito de me autopromover). Eu já fui professor convidado muitas vezes, mas nunca me efetivei em lugar nenhum. Sei que adoraria lecionar, mas já é um duro danado cumprir os prazos!


5. Tirando “Não trabalhe com pintura quando fizer um gibi mensal” e “nunca use tinta a óleo”, quais seriam seus principais conselhos para artistas aspirantes ao mundo dos quadrinhos?


Hah! Esse é o meu melhor conselho! Se você quer o segundo melhor, eu diria que esculpir é o jeito mais rápido (e melhor!) de aprender anatomia.


6. Você é famoso por usar uma variedade de referências, de fotos a impressões 3D e assim por diante. Qual foi o seu jeito mais maluco ou mais engraçado de obter uma referência até hoje?


Geralmente, eu não posso mostrar os meus favoritos, seja porque são vergonhosos demais, seja porque minha esposa está ao fundo.


7. Em uma entrevista de 2017, você mencionou que, quanto mais sutil o gesto, mais referências são necessárias. Quais seriam bons exemplos desses gestos? Você considera a capa de The Deliquents 1, da editora Valiant, um bom exemplo da variedade dramática de possibilidades?


Coisas como segurar um copo, deslizar para sentar em um banco de restaurante, abotoar uma camisa… basicamente, qualquer coisa que eu não desenhe com frequência, mas não vai sair direito se eu me obrigar a desenhar sem referência específica. Mas isso não quer dizer que eu sempre tiro uma foto da situação. Às vezes, só preciso realizar a ação em si, prestando atenção nos detalhes dos meus gestos. Talvez eu nem mesmo precise de um espelho. E sim, a capa que você citou é um bom exemplo. Coisas como posicionar os dedos nos quadris ou descruzar os braços – tudo isso é bem simples, mas fica horrível quando se desenha errado.




8. Com que frequência você pede para mudar algo que desenhou quando os diálogos são alterados depois que a arte foi concluída e não se encaixam com o que você desenhou?


Isso não acontece muito, mas agora eu sempre peço para ver a versão final do gibi antes de ir para a gráfica – por esse motivo que você mencionou, mas também para ver se eu não deixei a desejar em alguma coisa.


9. Você trabalhou com Joe Quesada no arco de histórias chamado Um Momento No Tempo,* uma etapa importantíssima na vida do Homem-Aranha. Qual é a sua opinião sobre esse arco e sobre o reboot do herói aracnídeo?


Eu me diverti muito trabalhando com o Quesada no gibi do Aranha. Quanto à história em si, o Joe estabeleceu uma meta muito difícil para si mesmo – considerando que não havia muitas formas de chegar onde ele queria sem um reboot. Uma coisa que as pessoas sempre ignoram é que ele sabia que seria uma história complicada, controversa, mas chamou a responsabilidade para si em vez de repassar a outro artista.



10. Quando você deixou a Marvel em 2012, queria trabalhar em material próprio e até mesmo tinha escrito um roteiro. O que pode nos dizer sobre a trama e quanto falta para você publicar esse material autoral?


É uma pena, mas não posso falar muito sobre isso. Sim, eu já fiz um roteiro e também alguns esboços conceituais, mas só fui até ali. Eu já recebi várias propostas para publicar, mas ando ocupado demais com outros projetos. Só sei que, se não mergulhar nisso logo, talvez nunca venha a fazer.


(*) Arco publicado nos números 121 e 122 da revista mensal do Homem-Aranha publicada pela Editora Panini (janeiro e fevereiro/2012).

40 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo